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espécie

olho-me e busco em mim a minha parte terrível violenta funesta

será que existe em cada um de nós estes nós?

observo-me e no espelho investigo meu olhar meu jeito de ver a vida tento entrar pela janela de minh’alma e encontrar lá a minha porção intolerante implacável nefasta

será que existe em cada um de nós todos os nós?

fito-me e cada vez mais perto de mim procuro fuço em meus escondidos farejo em meus abrigos antiaéreo antirreflexo antirroubo antirruído e mesmo assim não posso ouvir os gritos que vêm em mim como disparos e que me acertam desde o baixo ventre até meu coração despedaçado até minha existência tão precária

será que existe em mim tantos nós? encaro-me e a cada silêncio meu vejo em outros olhos todos os meus nós todos os nossos nós e eles são nocivos e estão no íntimo estão em nós…


3 de setembro de 2004 - Beslan, Rússia - a barbárie somos nós…

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